O gráfico ilustra a evolução temporal do nível do reservatório da UHE Paraibuna. No eixo horizontal está representada a cronologia dos eventos desde outubro de 2001..
Paraibuna, rios acima, rio Paraitinga, rio Paraibuna, 13 de junho de 1666, história, Estado de São Paulo, Brasil, cultura de café, cultura de cana, pecuária bovina, martim pescador, Império, represa, usina hidrelétrica, energia elétrica, nós que aqui estamos por vós esperamos, corrida de montanha
O gráfico ilustra a evolução temporal do nível do reservatório da UHE Paraibuna. No eixo horizontal está representada a cronologia dos eventos desde outubro de 2001.
.
Durante o trabalho de limpeza do terreno do bota-fora 12, em Paraibuna (SP), a equipe do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau) encontrou um sítio arqueológico extenso. As peças são de origem atribuída aos índios tupis, provavelmente datadas entre os séculos XIII e XVI. A descoberta foi feita no início do mês de fevereiro e o trabalho de resgate deve se estender por 90 dias.
.
O Professor José Luiz de Morais, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE/USP), instituição que desenvolve o Programa de Prospecção Arqueológica no Gastau, afirma que o sítio é denso e, aparentemente, muito importante. De acordo com o professor, as peças pertenciam a povos agricultores pré-coloniais do sistema regional de povoamento Tupi. Ele conta que sítios com esta densidade são bastante raros, porém a expectativa é de que, na região, ainda sejam descobertos novos sítios, já que essa é uma característica da Bacia do Rio Paraíba do Sul.
.
No local foram encontrados fragmentos de cerâmica (argila moldada em forma de vasilhas e queimadas para adquirir consistência) e objetos de pedra lascada e polida, além de um fragmento de lâmina de machado polida.
.
A partir de agora o trabalho consiste na escavação e resgate de materiais. A expectativa é encontrar núcleos de solo antropogênico que correspondem ao local das casas da aldeia e possivelmente outros fragmentos. Existe a possibilidade de montagem de vasilhas e outras peças.
O sítio será resgatado nos termos do projeto aprovado pelo Instituto Patrimonial Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e os materiais serão analisados no laboratório do MAE/USP. Paralelamente, acontecerão atividades de Educação Patrimonial voltadas ao estudo e trabalho da obra. Ao final dos trabalhos, será organizada uma coleção expográfica (coleção de materiais que pode ser usada em exposições), a ser oferecida à Prefeitura de Paraibuna para exposições e atividades didáticas.
.
Fotos: Bruno Kelly
Notícia publicada por Marco Antônio Pessoa Veloso de Almeida em 23 de março de 2009, na Sala de Notícias, órgão de divulgação da Engenharia da Petrobrás. Reprodução autorizada pela AGCOM.
.
José Saramago, em seu romance As Intermitências da Morte, apresenta esta magoada com a injustiça humana a seu respeito e que, se ausentando, acaba por criar situações insólitas mas, ainda assim, divertidas.
Em certo momento os moribundos, impedidos de alcançar o descanso eterno, organizam uma passeata de .protesto onde, à frente, carregam uma faixa enorme com os dizeres "Nós que tristes aqui vamos, a vós todos felizes esperamos".
A frase, embora parecida com aquela do pórtico do cemitério de Paraibuna - "NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS", tem sentido diverso.
No texto de Saramago, a palavra "Nós" se refere aos moribundos, tristes já por não poderem descansar, e a palavra "vós" se refere à morte, a quem todos esperam, e felizes estariam com sua chegada.
.
Foto: autor desconhecido

No meu tempo de escola, ao acabar o primário, tínhamos que prestar um exame para entrar no ginásio. O primário tinha quatro séries e o ginásio outras quatro.
Enquanto cursava o quarto ano, muitos colegas faziam um cursinho por causa deste exame e eu queria também. Mas mamãe achou que eu não faria direito nem uma coisa nem outra. No final do ano, gente mais atrasada do que eu entrou no ginásio! Indignada, me inscrevi para a segunda época – isto é, outro exame em fevereiro. Tive aulas particulares de matemática e português, estudei durante as férias inteiras.
Chegado o grande dia, fui nervosa para a escola. Antes de entrar na sala, olhei a lista dos candidatos e nela constava um Índio Tupinambá Americano do Brasil. Achei estranho. Fiquei observando todos os meninos, mas não vi nenhum índio por ali. Imaginei um garoto vestido de tanga, com a cara pintada...
Primeiro, tivemos que fazer uma pequena redação. Depois, descabelei-me com os problemas de Matemática. Com mais segurança, fui respondendo as perguntas sobre História do Brasil e Geografia. Um pouco antes de terminar, porém, empaquei na última questão: “Escreva tudo o que sabe sobre o rio Paraíba”.
Pensei, pensei e de nada me lembrei. Que coisa horrível essa Geografia! Deixei a resposta em branco.
Acabei sendo aprovada, mas quase levei uma surra de mamãe. Como é que não me lembrava daquele rio? Por acaso tinha me esquecido dos piqueniques que fazíamos às suas margens, naquela prainha tão gostosa? E de tudo o que ela repetia toda santa vez que por ali passávamos?...
... Que o rio era formado ali perto por dois outros - o Paraitinga, que vinha lá de São Luiz, e o Paraibuna, o mesmo nome daquela cidade do cemitério onde os defuntos por nós esperavam?... Aquele nome que a gente gostava de dizer “Para aí, buna!”, sugerindo outra coisa?...
...E que tornado Paraíba ele banhava toda a nossa região, o importante Vale do Paraíba? E que por sua causa víamos tantos arrozais por aqui?...
Para aí, menina. Presta atenção!
texto publicado em 15 de março de 2009 em http://www.usinadeletras.com.br/
Foto: Nelson Wisnik

publicado em 17 de setembro de 2007 em http://www.usinadeletras.com.br/
Foto: Nelson Wisnik
.
Em 1998, inspirado no recado que emoldura a entrada do cemitério de Paraibuna, "NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS", Marcelo Masagão dirigiu o documentário de nome "Nós que aqui estamos por vós esperamos", no qual expõe os conflitos entre a esperança, a loucura, o desenvolvimento tecnológico, as duas grandes querras.
O filme traz imagens do século XX mas bem pode ter continuidade com imagens mais recentes de guerras persistentes, o risco advindo do aquecimento global, a derrocada da economia globalizada.
Em 1999 o filme foi premiado no Festival de Gramado (melhor montagem) e no Festival do Recife (melhor filme, melhor roteiro e melhor montagem).
A ficha técnica do filme, os personagens e suas histórias, artigos e textos publicados a seu respeito, podem ser acessados ativando o link do filme em "Visite" na barra de menu deste blog.
Algumas partes do documentário podem ser assistidas ativando os ícones em "o documentário" no menu ao lado.
Foto: Nelson Wisnik Paraibuna

.

O gráfico ilustra a incidência de chuvas na região de Paraibuna nos últimos dois anos.
No eixo horizontal, da esquerda para a direita está representada a cronologia dos eventos, iniciando em fevereiro de 2007. A última coluna à direita representa a incidência de chuvas no mês de fevereiro de 2009. O pequeno retângulo laranja quantifica a chuva do dia 28.
A altura de cada coluna, mensal, é proporcional à precipitação de chuvas observada em cada mês, medida em "mm" (milímetros). Cada milímetro de precipitação é equivalente a um litro de água de chuva por metro quadrado ao longo do mês.
A linha cinza com pontos em cada mês ilustra a precipitação medida em longos períodos, ou seja, a precipitação média esperada para cada mês, servindo de parâmetro de "normalidade". Pode-se observar que nos meses recentes de novembro e dezembro as chuvas foram acima da média de longo prazo.
A incidência de chuvas resulta diretamente no nível do reservatório da UHE Paraibuna e na sua capacidade de manter a produção de energia elétrica "firme".
Fonte: INPE
.


A praça da Matriz calçada, iluminada e com coreto para apresentações musicais, passou a servir como local preferido para os encontros sociais e familiares.
Sabemos que no século XIX estes encontros sociais na zona urbana se restringiam há poucos dias por ano, batizados, casamentos, procissões. A praça passou ainda a receber vários bancos de madeira e jardins gramados e adornados com flôres.

Houve no entanto quem desaprovasse alguns itens desta reforma, questionando-se a não similaridade com o projeto original de 1927. As muretas que emolduravam o gramado e o coreto eram bem mais altos a que encontramos hoje.
As luminárias com globo de vidro branco redondo, também originais de época, foram subtraídas e mesmo os postes de ferro fundido também foram sendo substituídos.
As lixeiras que encontramos hoje na praça não eram necessárias antigamente, já que os moradores não tinham o hábito de jogar lixo no chão.
Os bancos de madeira da época da inauguração eram diferentes dos que encontramos hoje, pois eram compostos com uma tábua para encosto e duas tábuas para assento. 
A cobertura original do coreto era de telhas de barro cozido, ao contrário das folhas de zinco e a jardinagem procurava exibir floreiras coloridas, pequenos arbustos e folhagens, ao contrário das altas árvores a qual encontramos hoje.
Não sabemos as cores escolhidas na época da inauguração e não encontramos até o momento, registro oral capaz de assegurar a informação correta, mas tudo nos leva a crer que fossem brancas.
Independentemente das características originais terem desaparecido quase que por completo, ainda sim o coreto na praça da Matriz guarda muitos aspectos importantes para a revitalização da memória da população paraibunense.
Enfim, embora tenha sofrido várias descaracterizações arquitetônicas nestes mais de oitenta anos, a praça da Matriz ainda hoje serve como principal ponto de referência para encontros sociais, artísticos, políticos e religiosos da cidade de Paraibuna.
.
Fotos: Coleção Walter Santos (disponíveis para cópia na Fundação Benedicto Siqueira e Silva)
. Paraibuna

Mapa:
http://www.cidadeaparecida.com.br/aparecida/municipio/cidade/mapavale.jpg.
.


Há um dilema antigo a respeito da frase inscrita na portada do Cemitério Municipal de Paraibuna, onde se lê: "NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS".
Há mais de um século os moradores dão suas versões a respeito desta frase aparentemente tão simples de se interpretar. Cada qual tem sua versão e eu, particularmente, também tenho a minha própria, a qual exponho a seguir.
A questão, a meu ver, é saber a quem se refere o “NÓS” e a quem se refere o “VÓS".
Se observarmos que a frase inteira está escrita em letras maiúsculas então este “NÓS” pode se referir aos falecidos lá sepultados à espera dos que ainda estão vivos aqui fora.
Mas, pode ser que a frase originalmente tenha sido idealizada com a primeira letra da sentença em maiúscula e, por questões estéticas ou, por facilidade ou descuido no processo de fundição das letras, todas tenham sido gravadas em maiúsculas.
Sendo assim, o "Vós" (com o V maiúsculo) pode estar se referindo a Deus, e o nós, em minúscula, pode estar se referindo aos mortos que estão em seus jazigos à espera de serem julgados e, alcançando a salvação, possam, um dia, ascender aos céus.
Resumindo: A frase se refere a quem está dentro esperando pela morte dos que estão fora ou, quem está dentro está a espera da salvação Divina.
Esta é minha interpretação para esta intrigante frase que emoldura a entrada do cemitério de Paraibuna.
Foto: Nelson Wisnik
.

Não se pode falar em construção de prédio de Câmara e Cadeia, sem fazermos alguma alusão ao pelourinho, que servia de marco, desde o Brasil-Colônia, a moradores e forasteiros que na localidade havia Lei e se 'pagava caro' pela sua desobediência.
Mas como sabemos, os pelourinhos espalhados por todo Brasil acabaram por servir apenas para castigo e humilhação a negros, por faltas cometidas aos seus proprietários ou a terceiros.
Peça com aproximadamente três metros de altura com correntes e argolas de ferro no topo, tinha este nome, provavelmente por ter sob sua estrutura de pedra ou madeira de lei uma bola ou pelouro, aos moldes de antiga prática eleitoral ao qual se depositava o voto do eleitor dentro de um pelouro de cêra.
Não temos ainda com exatidão o local em que foi erigido este tronco, sendo que a tradição nos aponta dois locais diferentes: ou nas praças da Matriz, como encontramos na cidade de Salvador e outras, ou nos largos do Mercado, como encontramos na cidade de Porto Alegre.
Cremos que em nosso caso estava localizado onde está o coreto da praça da Matriz e não no Largo do Mercado ao lado da cadeia velha, local este, onde provavelmente se realizava os leilões e outros negócios com escravos.
Num documento encontrado em Paraibuna podemos ler: "...Aos 17 de fevereiro de 1865(... ) em minha presença (... ) por não ter encontrado lance para a mulatinha penhorada se fará outro leilão amanhã..."
Foto: Nelson Wisnik
. Paraibuna


As cidades que fazem parte da Rede são:
Mapa e foto: Laboratório de Topografia e Geodésia, Escola Politécnica, USP
Paraibuna

Em todas as antigas paróquias ou freguesias, logo ao serem elevadas à categoria de Vila, por ordem Régia, seus moradores passavam a ter direito de levantar pelourinho, construir sua própria cadeia e escolher seus legisladores, bem como delegados, juízes de paz, juízes de órfãos, chefes da Guarda Nacional etc.
A possibilidade ou não da construção de edifício próprio para abrigar os camaristas, cabia ao próprio poder Legislativo contratar profissionais para levantar o taipal ou, como em nosso caso, esperar a construção de prédio próprio, contando com apoio da Secretaria de Segurança Pública do Estado da época.
Documentos antigos nos dão conta que no ano de 1833 os primeiros legisladores paraibunenses alugavam sala de antiga residência para realizar as sessões prédio este, que pertenceu por muitos anos à família Ferreira de Alvarenga.
Reuniões políticas e eleições para comando da Guarda Nacional, também passaram a ser realizadas nesta casa, que foi demolida no final dos anos de 1950 e, somente nos anos de 1856 é que, embalada pela elevação a sede de comarca, o Legislativo municipal passou a ter sua própria sede.
Foto: Nelson Wisnik
. Paraibuna

A Cadeia Velha
O emblemático prédio da Cadeia Velha tinha sua porta principal voltada para o Mercado Municipal com formato de um típico casarão de fazenda senhorial de dois pavimentos, cobertura de quatro águas, paredes de taipa e divisórias de pau-a-pique e desta vez celas enchaveadas no lugar das senzalas, muitas características no século XIX.
A praticidade em se colocar no mesmo prédio o Poder Legislativo, o poder judiciário e as celas para o cumprimento de penas é sem dúvida tradição que remonta o período medievo- português e em Paraibuna não foi diferente.
Após ter seu território desmembrado de Jacareí em 1832, a freguesia de Santo Antônio do Parahybuna passou a ter o direito de construir, além do pelourinho, sua própria cadeia e votar em seus próprios vereadores, sendo assim, tais edifícios ficaram popularmente conhecidos como prédios de Câmara e Cadeia.
Ressaltamos que de início, a ainda pequena Vila, não tinha sede para as sessões do legislativo e comumente se alugavam salas para tanto.
O poder judiciário já se fazia presente e, logo em seguida, encurtando ainda mais os julgamentos no caso de negros fugidos, ladrões, ou mesmo estranhos sem morada certa, o suspeito era preso por ordem do legislativo, o judiciário julgava e caso condenado, o réu já descia para o andar térreo para cumprir a pena.
Em caso de crimes hediondos o acusado era conduzido a enxovia, outra tradição luso-medieval, que imputava ao condenado uma cela sem janela, sem iluminação, úmida e desprovida de qualquer tipo de latrina.
O mau tratamento dispensado a estes presos por parte das sentinelas e seus superiores e o sofrimento decorrente dos inúmeros miasmas contraídos nestas enxovias, era assunto sabido por todos e as mortes nestas celas estavam sempre presentes na memória das crianças e jovens da cidade.
Uma energia pesada já começa ser formada, certamente com sofrimento dos escravos que labutavam para levantar o gigantesco taipal volta de 1840 e foram transcritos numa poesia de 1923 de um antigo morador local:
“...e em derredor da praça, o Casarão / que o negro suarento edificou / lembrança cruel da raça perseguida / que irrigou com seu suor o barro da taipa batida...”
Estes cativos que levantaram o prédio, não raramente com chicote de couro cortando as costas, ergueram as celas para que a justiça ordenasse a prisão deles próprios, como encontramos em outro antigo documento do poder judiciário de Paraibuna:
“ ...Augusto Ferreira Braga (...) affirma lhe pertencer o escravo de nome Jorge que se acha preso nesta cadêa ( ...) requer seu mandato de soltura...”
O mesmo sofrimento e as mesmas mortes vistas nas prisões da Europa, também se viu por aqui, alimentando o repertório das lendas e “causos” locais.
E ainda a poesia:
“Sobre a cadeia o Tribunal / casarão de terra socada / de masmorras medievais / guardam histórias nunca reveladas/ Ao lado, as figueiras, que gozavam de má fama, de assombradas / e nas horas mortas quem se aventurasse a cruzar a velha praça / escutava o gemer fúnebre das almas penadas”.
As salas e celas deste antigo prédio teriam servido aos mais diversos fins após a transferência dos presos para a cadeia nova em 1906 numa pequena elevação pouco mais de quinhentos metros desta.
O ex-prefeito José Ozias Calazans de Araújo teria sido o último a ocupar o prédio como sede do Executivo entre 1961- 1965, em 1943 Isidro Domingues da Silva o teria utilizado como tipografia do Jornal “O Parahybunense”, o Grupo de Escoteiros teve lá seu Quartel na década de 20.
O ex-prefeito Jayme Domingues o teria utilizado como oficina mecânica, almoxarifado e depósito de materiais do setor de obras, o Batalhão Parahybuna teve ali sua sede durante a revolução de 1932, o Major José de Oliveira Santana ocupou a sala do Judiciário e sua sala de júri serviu as mais diversas solenidades.
A Cadeia Nova
A cadeia nova, concluída cinqüenta anos depois, em 1906, trazia em seu corpo inovações práticas e decorativas com relação ao sistema de cárcere.
Guardas uniformizados, grades de ferro ao invés de grades de madeira, estrutura de tijolos cozidos com cunhais imitando blocos de pedra e não paredes de taipa, flecheiras guarnecendo o topo do prédio, muros altos ao redor com uma só entrada e saída, portão de ferro de forma a retratar uma fortaleza sólida, austera e intransponível.
O novo prédio desvinculou-se do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, criando-se novas incumbências com relação à reclusão e o engenheiro (Euclides da Cunha ?) procurando uma nova plástica para seu desenho, retratando as mesmas formas das cadeias de Mogi das Cruzes, Jacareí, Silveiras e Ilha Bela.
Seu interior estava dividido da seguinte forma: no andar superior, a sala do corpo da guarda, sala do comando, da administração e os dormitórios das sentinelas.
No piso térreo um extenso corredor com as celas dos dois lados para homens e provavelmente apenas uma para mulheres e as enxovias com piso de pedras.
O andar superior provavelmente era servido por candeeiros e lampiões a óleo de mamona, pois a iluminação elétrica só viria sete anos depois, em 1913.
Um sino do lado esquerdo do prédio no andar superior servia, conforme o toque, para comunicar aos presentes qualquer anormalidade que porventura ocorresse, tais como incêndio, troca de guarda, fuga de prisioneiros etc..
O corredor das celas nos faz lembrar o prédio da Câmara e Cadeia da cidade de Ouro Preto, onde, de gargalheira de ferro ao pescoço em 1798, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier foi preso, julgado e condenado, no local onde hoje se encontra um dos museus mais expressivos do Brasil, o Museu da Inconfidência.
Estas são, em resumidas palavras o histórico desta localidade que presenciou em pouco mais de cem anos, uma complexa relação entre os membros da classe dominante, que criavam e executavam as penas e os menos afortunados da sociedade, lavradores, empregados do comércio, caipiras e agregados.
Foto: Nelson Wisnik
. Paraibuna